As 27 Funções Da Palavra Que (parte 01)

Locuções e Comentários Relativos à Palavra - Que Origem da Palavra QUE Etimologicamente, é a palavra que pronome substantivo relativo (com referência ao gênero neutro). Vem da forma quod (acusativo singular, tido como o caso lexicogênico). Em geral, o pronome substantivo relativo vem de qui, quae, quod = o qual (quem), a qual (quem), que obedece ao seguinte quadro declinativo: Começou o emprego de que, como conjunção, ainda no desenvolvimento do latim clássico, na forma quod e, depois, no latim vulgar na forma quae, em seguida, que. Sobre o assunto comenta o ilustre mestre SAID ALI: "Se não filiamos a integrante 'que' diretamente à conjunção latina quod, por se oporem a isso as leis fonéticas, somos, todavia, forçados a admitir que o étimo verdadeiro, qualquer que fosse (quia, quid, etc.), teria, a partir de certa época, adquirido valor igual ao daquela partícula, cursando então, simultaneamente, com ela na linguagem vulgar e acabando por suplantá-la." Mas com o indicado somente que a oração equivale a um substantivo, o qual serve de sujeito ou objeto a outra oração, a particula não revela nenhum colorido próprio, sendo de estranhar, a julgar pelo estado atual da linguagem que, para ssumir a sentença, a desejada feição integrante fosse necessário e bastante antepor-lhe o pronome relativo. Não foi, no entanto, rigorosamente este o processo primitivo.Quod tinha seu antecedente demonstrativo (hoc, illud, id), com que à guisa de sumário se antecipa um enunciado, como em hoc uno praestamus vel maxime feris, quod exprimere dicendo sensa possumus. O antecedente podia, sem prejuízo do sentido, omitir-se e, sendo esta prática mais simples, tornou-se ela pouco a pouco em costume, ao mesmo tempo que se ia obliterando a consciência da função pronominal de quod. O enunciado non pigritia facio, quod non mea manu scribo era a alteração semântica de outro que, reconstituído, equivaleria a "não faço por preguiça isto (= oseguinte), que não escrevo de próprio punho". O esquecimento, fator essencialíssimo na evolução da linguagem, transformou em tais construções o valor primitivo de quod, oral em causal, ora em partícula tão inexpressiva que, já no latim da decadência, veio a servir de mero expoente das orações subordinadas, cujo caráter não se definisse por meio de outra partícula. Herdeira de quod, assim diferenciada, é a conjunção portuguesa que, com a variante ca (qual), usada no falar antigo para exprimir o sentido causal. E termina observando o famoso mestre: "Os fatores de um fenômeno linguístico são muitos e é possível que a conjunção quod procedesse não somente do pronome relativo, mas também do pronome interrogativo. Para admitir, como alguns linguistas se inclinam a crer, que todos os fatos se devam referir somente a frases interrogativas, faltam argumentos convincentes." Dum ponto ao outro, da sua nascença até sua forma atual, impossível seria descrever-se as formas pelas quais passou a palavra - que - em relação aos seus valores diversos, ricamente progressistas, até chegar à forma atual. O que se pode dizer é que, na época do latim clássico e da decadência, possuiu, além das formas comentadas acima, outras que, salvo exceções, equivaliam a: quais = pronomes interrogativos; quam = advérbios; quod e quia = conjunções. Quê Substantivo - é monossílabo tônico. Que Advérbio, pronome, etc - é monossílabo átono. Letras componentes de QUE Q - décima sexta letra do alfabeto. Pronúncia: quê. É acompanhada sempre de u e apareceu no latim. segundo abalizados autores, é correspondente ao "hopp" do alfabeto dórico, que, presume-se, tirou-o, por sua vez, do fenício - "koph". Classifica-se: Quanto ao modo de articulações: oclusiva; Quanto ao ponto de articulação: velar; Quanto ao papel das cordas vocais: surda; Quanto ao papel das cavidades bucal e nasal: oral. U - vigésima letra do alfabeto. Não é pronunciada. Faz parte obrigatória de q e serve para ligar a vogal eà consoante q. Nasceu no findar do latim popular e formação do português. Antes o u e o v eram escritos da mesma maneira, na forma v. E - quinta letra do alfabeto. Vem do latim que, por sua vez, trouxe-o dos gregos, estes dos fenícios e egípcios. Classifica-se: Quanto à zona de articulação: anterior; Quanto ao timbre: fechada; Quanto ao papel da cavidade bucal e nasal: oral; Quanto à intensidade: átona (ou tônica). Em Que O grupo de letras (qu) denomina-se dígrafo, pois só representa um fonema. Quê e Que De todas as funções desta mágica palavra do idioma português, somente quando for substantivo é que deve ser acentuada. Autores, em grande maioria, explicam ser obrigatório o acento circunflexo no e quer seja interjeição, quer seja qualquer pronome, quer ainda pertença a qualquer classe, desde que venha no fim da frase! Fazer com Que Das mais interessantes, quanto ao seu estudo regencial, é a expressão - fazer com que. Alguns a reprovam, outros, representando a maioria, defendem-na, abonados pelo uso que dela fizeram os clássicos. Refere-se, todavia, o grande fator da discórdia à parte sintática. Foi dito que a oração iniciada pelo que é um objeto direto preposicionado; que "fazer com que" equivale a "conseguir", que "com que" inicia oração objetiva indireta, etc. Todos os opinadores possuem um quê de razão: um pela analogia, outro pela elasticidade da significação verbal, outro pela disposição rígida das palavras na construção. Carlos Góis, em seu procurado Método de Análise, explica que "fiz com que Pedro viesse" é igual a "fiz com Pedro que viesse",sendo objeto indireto com Pedro e objeto direto oracional que viesse. Usando também da elasticidade regencial do verbo fazer, conclui o ilustre mestre, corresponder a frase citada a - "obtive de Pedro, alcancei de Pedro que viesse". Eis alguns exemplos de considerados autores: " Fizera com que lhe cedessem voluntariamente o mando supremo". (A. Herculano).. "Fazer com que os pobres trabalhem para os pobres". (A.F. de Castilho). "Por vezes fazia com que Lenita se frisasse, se espartilhasse, se enflorasse". (J. Ribeiro). Com que então Locução interjetiva. Significa, é Napoleão Mendes de Almeida que nos explica, pelo que vejo, quer dizer que: "Com que então você quer mesmo ir-se embora? (Gram. Metódica, pág 278). Não há de que Frase empregada em resposta a um pedido de desculpa. Que - é pronome substantivo relativo preposicionado. Seu antecedente está oculto. Trazendo à tona da claridade seus membros, podemos assim compor o período: "Não há coisa alguma de que você se desculpe." (Ou de que você de deva desculpar). Que é de? - Quede e cadê Que é de? é expressão interrogativa implícita. Tornada plena poderá ser: "Que é feito de Pedro?" - "Que é feito do dinheiro?", etc. Equivale essa interrogativa que é de? a onde está? (onde está Pedro? - onde está o dinheiro?). Da forma que é de popularizaram-se as formas: quede, quedê e cadê (quede meu livro? - quedê meu livro? cadê meu livro?). Nos dois primeiros casos deu-se a fusão das três palavras; no terceiro deu-se a troca dos dois primeiros termos por ca. Cadê, muito embora ainda seja condenada pelos puritanos, está começando a romper a "barreira" que constituem os gramáticos, tal a força com que vem sendo empregada até mesmo por conceituados escritores. Aos que condenam esta palavra com força verbal e adverbial lembramos que agora é provenientede hac hora; hoje, de hoc die; embora, de em boa hora; fidalgo, de filho de algo; oxalá, de en shâ allah(assim queira Deus, tradução do árabe). É que Vernácula e de grande uso é a expressão - é que. Seu emprego dá graça, energia, realce e relevo à frase. Exemplos: "Naquela crise é que ele se deu a conheceer". ( Aulete). "Onde é que se escondeu a antiga fortaleza?" (A. Herculano). "O incomensurável livro da vida e da natureza, sobretudo, é que instrui e educa a sua alma". (Gutemberg de Campos). "Isso é que era vigor de imaginação, habilidade de enredar a perspicácia dos adivinhos de trágicas catástrofes". (Camilo). "Os outros é que se enfastiam e cansam de tanta barafusta". (Garrett). Não há regras para a colocação de é que no período. Pode o é vir seprado de que: "É por eles que eu choro". (Júlio L. de Almeida). "É a ti que estou falando". ( Paulo Rónai). Por analogia comumente, aparece o verbo da expressão é que noutro tempo e modo: "Foi Iracema que nos contou". "Sou eu que pago as contas". "que foi que o colega disse?" A análise sintática dos períodos em que figura a locução idiomática é que, ou outra com o verbo modificado, oferece ao estudioso margens para interpretações diferentes. Se bem que a locução seja sempre denominada expletiva, ou de realce, autores há que lhe dão valor real. No exemplo - "É a esperança que nos conforta"- explicam estar oculto o pronome demonstrativo o. Assim fosse ficaria a frase - "É a esperança o que nos conforta". O - predicativo e que (pronome subst. relativo) - sujeito de conforta. No exemplo - "Nós é que somos patriotas" - (oração subst. subjetiva) é fato (predicado nominal). Afora de qualquer comodismo manda a razão gramatical que consideremos, juntamente com ilustres filólogos, é que inanalisável, salvo, é obvio, quando expresso estiver o predicado nominal. Exemplos: "Foi isto o que eu falei com ele". (Aulete). "O certo é que na porta da serventia interior do cartório havia um rombo daqueles". (J. de Alencar). "O que é certo é que o fígaro teve uma idéia genial". (Elias F. D`Annuziata). NOTAS: 1ª - É comum omitir-se o é da expressão é que. Exemplos: "Quando que chegou o deputado?" "Que que lhe parece?" "Pedro que fez o serviço". 2ª - Raríssimas vezes sói acontecer de a clareza do discurso exigir seja dado como predicativo em termo ou termos dum outro período. 3ª - Não se deve tomar como explicativa a locução é que que inicia oração substantiva predicativa. (V. função,XIV, alínea e). 4ª - Anotar a função XXV, alínea e e função XXIV. Pois que! É pois que! locução interjetiva. Sabemos que pois é conjunção coordenativa conclusiva e que, quanto à origem, pronome substantivo relativo. Juntos nesta locução, formam uma locução interjetiva. Pode ela, assim como as interjeições, exprimir diversos e diferentes sentimentos. Geralmente indica estranheza e repulsa sentidas pelo sujeito ao ouvir algo que o contrariou. Notemos os seguintes exemplos: "Tu queres viajar? Pois que!" "Estão os problemas resolvidos?! Pois que!" Clara é a diferença de pois que! - locução interjetiva e pois que - conjunção subordinativa causal. a primeira vem sempre seguida de ponto de exclamação; a segunda liga orações: 'Viajaremos todos, pois que estamos de férias". Que tal É locução equivalente a que lhe parece? e construções interrogativas semelhantes. Exemplos: "Que tal? - ou - Que lhe parece meu chapéu?" "Que tal? - ou - Que lhe pareço vestido assim?" "Que tal? - ou - Como estamos nós?" É outro que tal N. Mendes de Almeida assim resolve esta curiopsa frase: "É outro que ja se falou". Por que e porque Muito se tem errado com o emprego de "por que" e "porque". Seu uso deve se restringir às seguintes disposições: Emprega - se "porque" quando for conjunção coordenativa explicativa ou subordinativas causal e final. Exemplos: "A criança encantada porque simboliza a inocência". (causal) (J.N. de Melo). "Crianças, estudai porque os exames estão próximos". (explicativa). "Prepara-te bem para os exames porque os faças corretamente". (final) (F.S. Bueno). Emprega-se "por que" quando: a) que for pronome substantivo relativo. Exemplos: "Foi este o caminho por que (pelo qual) passamos". "Estes são os motivos por que (pelos quais) não considerarei sua proposta". b) que for pronome interrogativo ou indefinido. Exemplos: "Por que reclamas!" "Por que motivo não compareces mais às reuniões?" "Por que duvida tanto ao ponto de me pedir um juramento?" (S. Bueno). c) equivaler a "para que" "Faço votos por que sejas feliz". NOTAS: 1ª - Fácil é não confundir com os casos referidos "por mais que", concessiva que pode aparecer separada e, também, sem o "mais". Exemplos: "Não há caso por mais que seja perdido" = "Não há caso por perdido que seja". (Carlos Góis). 2ª - V. função VII, nota 1A Qual o que! Locução interjetiva empregada para expressar um sentido súbito de dúvida ou desencanto: - "Conseguiste aprovar a maioria dos alunos?". -"Qual o que!" Só que É locução equivalente a mas, todavia, contudo - conjunções coordenativas adversativas. Embora não seja canônica é constantemente usada, principalmente no falar comum. Exemplos: "Encontrei-me com o devedor, só que não pude cobrá-lo". "As colegiais participaram do desfile, só que mal vestidas". Que nem Locução conjuntiva clássica, correta, literária e vernácula. Seu emprego hoje se dá, todavia, quase que somente no falar comum. A razão, por que é ela evitada pelos mais cultos, explica-se da seguinte forma: No emprego clássico era a locução "que nem" - conjunção subordinativa consecutiva, tal o exemplo: "O erudito fez-se vermelho que nem uma româ" - isto é - "O erudito fez-se tão vermelho que nem uma romã é tão vermelha". (R. da Silva, apud Marques da cruz, P. Prático, 199). Depois, por haver certa familiaridade entre a consecução e a comparação, passou ela a ser empregada também como conjunção subordinativa comparativa, com a significação de como. Exemplos: Ele é que nem eu" - "Aquele estudante é que nem os outros". Iniciado o uso de que nem comparativa passou, por conseguinte, a ser pronunciada sem a pausa que era e é necessária à significação consecutiva. Que nem, por força dessa "evolução" ou "permuta", passou a ser interpretada pela maioria dos eleitores como comparativa, muito embora seja crível que o escritor tenha usado seu valor clássico, isto é, consecutivo. Por isto, o autor de hoje prefere comumente, o emprego de como, evitando assim, qualquer crítica. Tais os exemplos: "Ele caiu que nem uma pedra". "Ele caiu como uma pedra". De maneira que Comum é ouvirmos o substantivo dessa locução conjuntiva consecutiva pluralizado. Sendo, como é, parte intrínseca duma locução pertencente ao rol das invariáveis, constitui a sua flexão descuido ao vernáculo. No mesmo caso encontram-se de sorte que, de forma que, de jeito que, de modo que. Eis que É eis que locução adverbial equivalente à designação do qual está próximo no tempo, do que está perto ou presente: "Eis que chega o professor e todos se levantam". "Eis que, desconsiderando um outro, viram-lhes, todos, o rosto". Até que Quando ligar orações é conj. sub. temporal (ex.: ("trabalhou até que sua força permitiu"); no início de frases deve ser considerada esta locução como de realce, isto é, explicativa (ex.: "Até que ele canta bem"). Como que Locução adverbial de modo. É o mesmo que incomparavelmente", de modo incomparável": "Era fino como que". (Cor. Pires). Quem quer que É considerada pronome substantivo indefinido. Há de se notar, contudo, que o relativo que, empregado nessa construção, não perde seu valor, equivalendo, pois, quem quer a qualquer pessoa. Exemplos: "Quem quer que tenha viajado pode contar muitas coisas". (Paulo Ronai). "Com seu semblante de profeta e sua aparência de mendigo, conquistava a misericórdia de quem quer que fosse. (Perea Martins). Como quer que seja Das mais interessantes é o estudo desta frase. Ensina-se que seu significado é de dúvida ou incerteza. Como será sua análise sintática e sua forma plena? Consideramo-la desta maneira: " O serviço (p. ex.) será feito como quer Pedro (p. ex.) que seja". Isto é: "O serviço será feito (por alguém) como quer Pedro que (o serviço) seja (feito por alguém)". Que é conjunção subordinativa integrante; como quer, oração subordinada conformativa; que seja, oração subordinada substantiva objetiva direta. Onde quer que esteja Quase idêntico ao estudo anterior é o desta frase: que é conjunção subordinativa integrante; o sujeito dequer é indeterminado; que esteja é oração subordinada substantiva objetiva direta. Plenamente, podemos ter a seguinte disposição: "Eu lhe direi isto onde quer (Pedro, Paulo, etc.) que esteja (ele)". Em que pese a É locução vernácula. Em que equivale a ainda que. Tal o exemplo: "Em que se pese a você, far-lhe-emos nosso relatório". É o mesmo que - "Ainda que isso pese a você, far-lhe-emos nosso relatório. Dar que falar Equivale a: despertar ou censurar. Que também É locução conjuncional equivalente a "mas também". Do que Locução comparativa. Assim como a conjunção comparativa - que - entra ela nas frases de comparação para mais ou para menos. Tanto podemos dizer: "Você mora mais longe do que eu" ou "Você mora mais longe que eu", ou ainda - "Sou menos estudioso que você". Ou "Sou menos estudioso do que você".

As 27 Funções Da Palavra Que (parte 02)

2 parte José Perea Martins As 27 Funções da Palavra "Que" Classificação Morfológica da Palavra que Acrescida de seus Valores Sintáticos I Substantivo "Que" é substantivo todas as vezes que estiver precedido dum adjunto adnominal, quase sempre pelo artigo definido o, artigo indefinido um e pelos pronomes adjetivos demonstrativos este, esse e aquele: "O quê é uma palavra mágica". "Refiro-me àquele quê". "quem escreveu este quê?" "Nenhum quê cabe neste período". Excetuando-se o vocativo e o agente da passiva, ocupa o quê todas as funções sintáticas do substantivo, ou seja, adjunto adnominal, sujeito, complemento nominal, objeto direto, objeto indireto, adjunto adverbial, predicativo e aposto. Exemplos: "Do quê só uma vogal é pronunciada".(adjunto adnominal de - vogal). "Este quê está mal escrito". (sujeito). "Em se tratando de substantivo, o acento circunflexo é necessário ao quê". (complemento nominal de - necessário). "Eu não escrevi este quê". (objetivo direto). "Para que não haja ambiguidade, esta oração necessita de um quê". (objeto indireto). "Minha dúvida reside naquele quê". (adjunto adverbial de lugar: onde). Este vocábulo é um quê". (predicativo). "Esta palavra, o quê, está sem função no período". (aposto) O quê, além de sua significação própria, isto é, de significar a junção das letras q, u e e pode ser empregado com o sentido de causa, pouco, qualquer coisa ou complicação: “Um quê misterioso aqui me fala”. (G. Dias). “Você tem um quê de fulano”. “Tens um quê de extraordinário”. “O latim tem seus quês”. NOTAS: 1ª – Obrigatória é a acentuação da palavra que, quando, substantivo. É comum acentuarem-na quando exerce outras funções, principalmente aparecendo no fim do período. Como já dissemos na primeira parte deste trabalho, desnecessário e supérfluo afigura-se-nos esse excesso de zelo diacrítico porque a única função sua merecedora dum maior realce, duma pronúncia mais demorada, é a de substantivo. Rendemo-nos, porém, ao estabelecido. 2ª – Elegantemente é o quê flexionado em número e em grau diminutivo: “O negócio tem seus quês”. (F> Fernandes). “Fiz um quezinho que era quase invisível”. II Preposição Essencial Funciona a palavra que, como preposição essencial, toda vez que, relacionando duas palavras entre si, puder ser substituída pela “de”. Acontece isto nas construções que denotam obrigatoriedade (auxiliar ter + de + infinitivo pessoal). Exemplos: “Tenho que terminar este serviço hoje”. (F. Fernandes). “Tenho que dizer-vos do que obrastes?”. (F. Manuel de Melo). “Não teve que andar muito”. (Júlio Ribeiro). “...revelará o desencanto de quem quebrou a redoma e teve que voltar à terra?” (A. Serralvo Sobrinho). Segundo alguns autores, pode, em lugar da preposição “para”, funcionar a “que”. Todavia, é necessário dizer que essa substituição possibilita argumentos para controvérsias. No exemplo: “Muito tenho eu que fazer” – há quem afirme ser a palavra que preposição, empregada com o valor de “para” e encontramos também quem afirme ser o vocábulo que pronome relativo. Razões existem nas duas assertivas, basta que ambas sejam estudadas com “bastante atenção”. Na primeira temos: “Tu tens muito que contar” (=para contar), na segunda: “Tenho muita coisa que fazer”, sendo coisa objeto direto de tenho e que, pronome relativo, objeto direto de fazer. Conquanto sejam tais construções corretas, temos nós de para uma ou outra interpretação pender? Não é o Latim uma língua cujas construções levam seus membros rigidamente fora da ordem analítica? Não é o Português filho dileto do Latim? Então comum é, no idioma pátrio, estarem deslocados na oração vocábulos que, na ordem direta, viriam juntos. Comum é o intercalar-se em lugar do antecedente (subordinante), vocábulos que nada tem a ver como o consequente (subordinado). Ora, é normal tais deslocamentos. Nas construções – “Tu tens muito que contar” e “Tenho muita coisa que fazer” – os antecedentes tens e tenho e os consequentes contar e fazer não estão juntos à preposição “que”, cujo valor é “de” mas nem por isso deixamos de reconhecer qual é o antecedente e qual o consequente. Evitando os torneios teremos: “Tu tens que contar muito” (=de contar muito) – “Tenho que fazer muita coisa” (=de fazer muita coisa). Essas construções denotam a mesma obrigatoriedade de futuro ao sujeito da oração NOTAS: 1ª – Depois de um superlativo, pode-se empregar que em lugar de de : “Saúde é melhor que tudo na vida”. 2ª – Análise sintática da preposição essencial: conetivo intervocabular subordinativo essencial. 3ª – São preposições essenciais: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, por, perante, sem, sob, sobre, trás. III Preposição Acidental Sabemos que “preposição” é o nome dado a certas palavras que têm por função ligar outras palavras entre si e que se classificam em essenciais e acidentais. Pois bem, que também pode aparecer nesta classificação. Toda vez que que for empregado com o valor de exceto, funciona como – preposição acidental: “Outro livro que a Bíblia”. (Buarque de Holanda). “Sem outra sombra que a do camelo”. (Felinto, apud Cândido de figueiredo). “Não tem de se extinguir, que no jazigo”. (Idem,Idem). NOTAS: 1ª – a respeito desta função, mormente em referência aos exemplos de “Felinto”, útil se nos afigura anotarmos a advertência de Cândido de Figueiredo: “Não obstante a autoridade de Felinto, parece-me haver ressaibo de francesismo em tal emprego de que. Compare-se a sintaxe francesa: IL N Y AVAIT DES FEMMES” (Novo Dicionário da Língua Portuguesa). 2ª – análise sintática da preposição acidental: conetivo intervocabular subordinativo acidental. OBSERVAÇÃO: São preposições acidentais- afora, como, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, menos, obstante, salvante, salvo, segundo e senão. IV Advérbio de Intensidade Todas as vezes que a palavra que estiver junto a um verbo, a um adjetivo ou a um outro advérbio, exprimindo-lhes uma circunstância, é advérbio de intensidade. Quando exprimir uma circunstância a um adjetivo ou advérbio, corresponde a “quão”. “Mas que lindo está o dia!” “Que grosseiros são os afetos humanos para avaliar as finezas do amor divino!” (Vieira). “Que maravilhoso caminho é este!” (Gérson Rodrigues). “Oh! Que enganados andam os homens!” (Bernardes). “Que belo é este espetáculo!” (C. Pereira) “que bem falas”. “Que cedo levanta você, Cristina!” “Chi! Que belo! Vamos amanhã!” (França júnior). Junto a um verbo equivale a muito ou pouco (V. explicação da função seguinte). Exemplos: “Que importa, os inimigos perecerão”. “Que interessa isto a você: Maria casou-se”. NOTA: Sintaticamente, classifica-se o advérbio de intensidade: adjunto adverbial de intensidade. OBSERVAÇÃO: 1ª – São advérbios de intensidade: bastante, muito, pouco, mais, menos, quase, demais e assaz. V Advérbio de Negação Vimos, na função anterior, que, aparecendo a palavra que junto a um verbo, adjetivo ou outro advérbio, alterando-lhes, intensificando-lhes a significação, é um advérbio de intensidade, pois bem, agora vamos ver o vocábulo que funciona também como advérbio de negação. Acontece isto nas frases, cujo verbo, comumente na 3ª pessoa, é precedido do advérbio que, equivalente a “não”, muito embora não se possa negar que também pode equivaler a pouco ou muito. N.J. Barroso Campinhos, em seu “Português 2º Ciclo”, página 117, aproveitando uma construção de José de Alencar, dá-nos o seguinte exemplo: “Que importa! Peri vencerá...” Raras são as frases em que o advérbio que possa equivaler a “não. Cinge-se esse valor somente nos casos semelhantes ao exemplo acima: “Que interessa isso a você: Maria casou-se!” “Que interessa agora, teu segredo já foi descoberto”. NOTA Análise sintática do advérbio de negação: adjunto adverbial de negação. OBSERVAÇÃO: 1ª – São advérbios de negação: não, nunca, jamais, nada. VI Pronome Substantivo Indefinido São pronomes substantivos indefinidos os que, estando em lugar de um nome substantivo, caracterizam-se pelo sentido vago e impreciso. Ao dizermos – Alguém quebrou o vidro da janela – não definimos quem foi o agente da ação verbal, apenas afirmamos a existência dum sujeito agente que é indefinido. Assim, pode o pronome substantivo indefinido exercer, também, a função de objeto, complemento, etc. Isto posto, podemos afirmar que a palavra que é pronome substantivo indefinido quando precede o verbo nas frases exclamativas e encerra a existência duma coisa. Exemplos: “Quem vejo! Esta é a cifra! triste glória!”. (Manuel da Costa). “Que fizeste meu filho!” É usual vir o pronome que precedido do artigo “o”. “Paulo, o que escreveu você!” “O que está acontecendo!” Valores sintáticos do pronome substantivo indefinido: SUJEITO “Que aconteceu!” “O que precisou ser feito para a sua vinda!” OBJETO DIRETO “Que me fez, meu Pai!” “O que me indicaste!” OBJETO INDIRETO “De que necessitas para o teu aperfeiçoamento!” “A que foi preciso se dedicar!” PREDICATIVO “Que serei eu até lá!” “O que parecíamos depois daquela longa caminhada!” ADJUNTO ADVERBIAL DE FIM “Para que nos torturava!” “Para que contratamos os ventos e as tempestades!” (Vieira). ADJUNTO ADVERBIAL DE MEIO “Com que se divertiam!” “Com o que pretendem vencer o concurso!” NOTAS: 1ª – Possuíssem os exemplos acima o ponto de interrogação (Que fizeste, meu filho? - etc.) o pronomeque seria denominado pronome substantivo interrogativo, embora ainda continue a ser indefinido. 2ª – Conforme veremos nas funções seguintes, o pronome que, se tiver claro depois de si, em frases exclamativas, interrogativas, pron. Adj.int. OBSERVAÇÃO: 1º - São pronomes substantivos indefinidos: quem, quem quer, cada, cada qual, cada um, qualquer um, alguém, ninguém, algo, tudo, nada, ontem – e os seguintes que também podem ser pronomes adjetivos indefinidos – nenhum, algum, outro, pouco, muito, todo, vários, tudo. VII Pronome Substantivo Interrogativo QUE, pronome substantivo interrogativo, é o pronome substantivo nas frases interrogativas: “Que fizestes, meu filho?” “Que fiz eu para arrefecer a sua estima?” (Camilo). “Pois que havemos de fazer no dia da ressurreição de Cristo?” (Vieira). “Que vens anunciar-me ou que pretende de mim?” (Herculano). Comum é hoje o emprego da formam interrogativa o que. No estudo histórico da língua portuguesa, vemos que, a princípio, era estranha na linguagem erudita, depois, para se evitar a dubiedade de sentido, foi ela adotada nas interrogativas indiretas, o que veio dar maior entonação à frase. Criado esse novo expediente ao interrogativo “que”, estavam abertas as portas do idioma para o seu emprego também no início da oração. Exemplos: “Fazer o quê?” (A.F. Castilho). “Dizes o que?” (Said Ali). “O que vai por esta alma, ó rei?” (Garrett). “O que pretendes de mim?” Sobre a questão escreve Eduardo Carlos Pereira: “ O interrogativo – o quê?, embora condenado por ilustres gramáticos como Júlio Ribeiro, Dr. Augusto Freire e outros, tem sido modernamente autorizado por escritores de bom quilate, como A. Castilho, Garrett, A. Herculano, L. Coelho, Rabelo da Silva. Coincide com essas autoridades o uso popular”. (Gramática Expositiva, 119). Funções sintáticas do pronome substantivo interrogativo SUJEITO “Que aconteceu?” “O que se passa?” OBJETO DIRETO “Que desejas?” “O que leva aí consigo?” OBJETO INDIRETO “De que necessitas para o teu aperfeiçoamento?” “Em que consiste a felicidade?” “Então, a que se dedica você atualmente?” PREDICATIVO “Que fui eu até hoje?” (M.Assis). “O que será aquela criança quando crescer?” COMPLEMENTO NOMINAL “De que ele é perito?” “Ele está ciente de quê?” PREDICATIVO OBJETIVO “Julgaram-no quê?” “De que o chamou?” ADJUNTO ADVERBIAL DE FIM “Escreveste para quê?” “Para que estudou gramática?” ADJUNTO ADVERBIAL DE MEIO “Divertiram-se com quê?” “Com que fizeram a viagem?” ADJUNTO ADVERBIAL DE CAUSA “Por que vivem as hereges que convertem vossos cálices a usos profanos?” (Vieira). “Os professores discutiam porquê?” Encontradiças em bons escritores e largamente empregada pelo uso popular é a expressão idiomática “é que”, reforçativa do interrogativo “que”. Exemplos: “Que é que você tem?” (M. de Assis). “Que é que d. Glória vem fuxicar aqui, seu Ribeiro?” (Graciliano Ramos). “Que é que você tem, homem de Deus?” (Castilho). NB: Nas interrogativas acontece também vir o verbo da expressão idiomática, por analogia, na forma do passado perfeito do indicativo, quando aquilo que se quer saber se refere ao passado: "Que foi que Pedro fez?" "O que foi que Maria lhe contou?" NOTAS: 1ª – Inclui a Nomenclatura Gramatical Brasileira por que como advérbio interrogativo (ex.: “Por que choras?”). De estranhar é essa classificação! Em construção, como a acima, o que se pretende saber? Não é a causa, o objeto, o motivo do choro? Indubitavelmente, é o que se quer saber. A palavra que, nessa frase, encerra algo indefinido e interrogativo. Ora, se encerra alguma coisa, algum fato, é uma palavra que faz as vezes dum nome substantivo e TODA PALAVRA QUE FAZ AS VEZES DUM NOME SUBSTANTIVO É – PRONOME SUBSTANTIVO. Sendo também interrogativo sua classificação deverá ser – pronome substantivo interrogativo. Classifica-se “por que” (nas frases interrogativas) como advérbio interrogativo porque, sintaticamente, sua análise pode ser adjunto adverbial é confundir sintaxe com morfologia. 2ª – Embora não o seja na prática, pode a palavra que, desta função, ser denominada pronome substantivo indefinido interrogativo. OBSERVAÇÃO: 1ª – São pronomes substantivos interrogativos: quem, qual, onde, quando, quanto. VIII Pronome Adjetivo Indefinido QUE é pronome adjetivo indefinido quando, correspondendo, de certo modo, a “quanto”, “quanta”, “quantos”, “quantas”, perceber um substantivo e determiná-lo de modo vago, impreciso: “Oh! Que aurora de porvir e que manhã!” (Álvares de Azevedo). “Que bondade serena tem na doce expressão da face resignada!” (Olavo Bilac). “Que beleza vejo!” “Que saudades sinto?” “Que inferno é ter cabedais!” (Castilho). “Que pena... tão formosa e tão louçã!” (Judas Isgorogota). “Com que calma obedece!” (Olavo Bilac). “Mas, que sede! Uma sede desesperadora que lhe encortiça os lábios.” (Eça). Também com o valor de quanto e flexões (e número indeterminado), graciosamente, emprega-se que de. Exemplos: “Que de histórias me contou!” (N.J.B. Campinhos). “Que de sonhos não se contam!” (Tobias Barreto). NOTA: Análise sintática do pronome adjetivo indefinido: adjunto adnominal (do substantivo a que se refere). OBSERVAÇÃO: 1ª – São pronomes adjetivos indefinidos: algum, nenhum, qualquer, bastante, certo, cada, outro, pouco, vários, todo, tanto, menos, mais, diversos, diferentes, muito, tudo, qualquer. IX Pronome Adjetivo interrogativo Todas as vezes que a palavra que estiver anteposta a um substantivo em frases interrogativas é ela um pronome adjetivo interrogativo. Exemplos: “Que poetas eu conversei na minha infância?” (Camilo). “Que horas deu o relógio?” (Rabelo da Silva). “Que questão é? indagou Quaresma”. (Lima Barreto). “Por que razão não vieste?” “Mas, afinal que comboio é esse de tão má catadura?” (C. Fernandes Paiva). “A que pessoa está apontando?” “Em que ônibus viajaremos?” “De que matéria é feito este tubo? A expressão que de também pode figurar nas orações interrogativas: “Que de histórias nos contou?” “Que de autoridades veneráveis não põem a arte do patriotismo em fingir não crer nunca a verdade que malquista a jurar com ares sisudos na versão carimbada dos homens e das coisas?”(Rui Barbosa). NOTA: Análise sintática do pronome adjetivo interrogativo: adjunto adnominal (do substantivo a que se refere). OBSERVAÇÃO: 1ª – São pronomes adjetivos interrogativos: qual e flexões, quanto e flexões. X Pronome Substantivo Relativo QUE – pronome substantivo relativo – é a palavra que liga duas orações entre si (sendo a 2ª subordinada à 1ª) e se refere a um antecedente, pessoa ou coisa. Exemplos: “E prorrompeu num chorar silencioso que apiedava pedras”. (Camilo). “Não apagarás o nome que ilustrou um dia as cinzas que te confio”. (L. Coelho). “Encontrei-me à grade de ferro que circunda a calçada”. (Graciliano Ramos). “Os anjos, que ficavam da parte de Deus, desciam, e os que ficavam da parte de Jacó, subiam”. (Vieira). “Isso poderá trazer certa apreensão aos que acreditam no bem e náo duvidam do mal”. (Edmundo Antunes). Concordância O relativo que, palavra invariável, exige o verbo na pessoa e número do antecedente: “Nós, que éramos cativos e pobres, com a pobreza e mendigues, ficamos ricos”. (Vieira). “Afeiçoado aos que me lastimam e aos que me escarnecem”. (Camilo). OBSERVAÇÕES: 1ª – Quando após que vem um verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, etc.) pode acontecer que não concorde com o sujeito e sim, por atração, com o predicativo: “Nela (na fogueira), um toro de lenha, verde ainda, estalando em aflitos estalidos, dessorava a resina,que eram lágrimas, e nas crepitações, dava gemidos!” (Catulo da Paixão Cearense). 2ª – Quando o antecedente do relativo que for um vocativo referente a pessoa ou coisa, o verbo do relativo vai para a pessoa que tratamos: “Ó tu que tens de humano o gesto e o peito.” (Camões). “Homem santo que me curará, se quiser, auxilie-me.” (Souza da Silveira, apud Ernani Calbuci). RELATIVO PREPOSICIONADO Conforme suas funções sintáticas, é o relativo que precedido das preposições “por”, “a”, “em”, “com”, “para”, e “de: “Entendes agora (o motivo) por que me calo, devendo falar?” (R. Silva). “Certo lugar eminente a que fora promovido um seu amigo”. (Vieira). “Abordoado ao clássico bastão em que se apóia”. (E. da Cunha). “Abre-se a rocha, Marta sai na mesma juventude com que entrara”. (Graça Aranha). “A cidade é o lugar para que deveis olhar”. (Vieira). “As pessoas de que constava a casa e família”. (Vieira). NOTA: V. “em que”, conjunção sub. Concessiva, função XXIII, observação – função XIV, Alínea “C” – função XI, nota 1ª. OMISSÃO DA PREPOSIÇÃO Em certas construções é comum omitir-se a preposição em: “No dia que (em que) você receber o diploma, grande festa faremos”. “Nesta hora que (em que) estamos todos juntos, aproveitemo-la para rezar o terço”. DESDOBRAMENTO É o relativo que conversível em “o qual”, “a qual”, “os quais” e “as quais”. Mesmo sendo estas formas muito usadas, aconselha-se não abusar de seus empregos: “Ao apear da liteira que (a qual) os esbirros atalaiavam”. (Camilo). “Eu vi os atores que (os quais) chegaram de Portugal”. “Já conheço a história a que (à qual) você se refere”. OBSERVAÇÃO: Sempre que se tiver dúvida a respeito da função do relativo que, basta substituí-lo, mentalmente, pelas formas – o qual, a qual, os quais e as quais, acrescidas, isto é, repetindo-se, após essas formas, o nome antecedente. Ex.: “As alunas que estudavam, com atenção, sempre obtinham notas altas”. Tirando-se a dúvida: “As meninas, as quais meninas estudavam, com atenção, sempre obtinham notas altas”. Feita a substituição, sem prejuízo à clareza e à significação do período, não há motivo de persistir a dúvida. NECESSIDADE DO EMPREGO DE O QUAL E FLEXÕES Quando houver necessidade de ser dada maior clareza ao período ou quando o relativo que vier distanciado de seu antecedente, usa-se a forma o qual e flexões: “O livro de histórias e aventuras, o qual me enviastes, li-o hoje”. (M. Leite e U. Cintra, Gram. Da L. Portuguesa). “Uma herança honrada de avós, a qual era preciso salvar”. Referindo-se a este último exemplo, comenta o eminente gramático – Napoleão Mendes de Almeida: “Se nessa oração o autor tivesse empregado que, o sentido teria ficado prejudicado, pois não saberíamos se o pronome que estaria substituindo o antecedente herança ou avós; o emprego de o qual esclarece o antecedente”. (Gram. Metódica da L. Portuguesa, 182). OMISSÃO DO ANTECEDENTE Não raros são os casos em que o antecedente é omitido: “Não tenho com que me alimentar”. (= coisa alguma com que...) (E. Carlos Pereira). “Não sei de que falas”. (= não sei o assunto de que...) “Dinheiro não aceitavam de esmola porque não achavam que comprar com ele”. (=achavam o que comprar...) (L. de Souza). “Ao menos aí há que comer e que beber”. (= coisas que comer e coisas que beber). (Júlio Brandão) OBSERVÇÕES: 1ª – No terceiro exemplo acima, o que equivale a a coisa que ou aquilo que. Nalgum outro exemplo, poderá equivaler também a aquele que. No plural, os que equivale a aqueles que; a que e as que, a aquela que e aquelas que. (V. função XI, nota 1ª). Exemplos. “Então, o que mentiu não era filho de meu Pai?” (Castilho). “Não são os que lavram os campos, nem os que aram os mares”. (Vieira). “ÀS vezes, a forma lógica e normal se despreza para aceitar a que o uso determina”. (David José Perez). “Expressões indubitavelmente muito mais bem feitas do que as que eles manipularam.”(M. Barreto). 2ª – Necessário se faz disitinguir o que (demonstrativo + relativo) de que (expressão equivalente a “isto”ou “isso”) e de o que (Pronome interrogativo ou indefinido). Confrontem-se as funções XI, VI, VII, VIII e IX com esta de algarismo X. 3ª – Permite a língua o intercalar-se do pronome substantivo o entre a preposição e o relativo que. Exemplo: “Não sei do que se trata.” Por - “Não sei o de que se trata.”(E. C. Pereira). Análise das palavras em questão é: o – objetivo direto de sei; de que – objeto indireto de trata. VALOR EXPLETIVO Vernáculo e de bom gosto poder ser considerado o emprego do relativo que com valor expletivo: “Ele que só pedia sobre a terra silêncio, paz e amor!”(Castro Alves). “Que suplício que foi o jantar”. (M. de Assis). “Que tolo que sou”. “Quase que me envaideço com seus elogios”. OBSERVAÇÕES: 1ª – Toda palavra expletiva, isto é, que não possua função lógica na frase, pode ser retirada sem prejuízo do sentido: “Quase que enlouqueço”= “Quase enlouqueço”. 2ª – Na análise sintática, a palavra expletiva pode ser denominada: palavra de realce ou denotativa. FALSO PRONOME ADJETIVO REALATIVO Dão ao relativo que alguns autores, se bem que em pequeníssima minoria, o valor de pronome adjetivo relativo (por exemplo, na frase: “Ignoramos que razões apresentou”.) Carlos Góis refuta esse valor e com ele devemos ficar nós outros. Quando o antecedente do relativo vem indeterminado, costuma pospor-se ao relativo, assumindo este, aparentemente, o caráter de pron. Adj. Relativo. Exemplos: “E (os reis) descobrindo os mares inimigos do quieto descanso, pretenderam de saber que fim tinham”. (Camões) – “pretenderam de saber o fim que ( os mares) tinham”. Compare-se “O rei que já sabia a gente que era”. (Camões) = “O rei que já sabia que gente era”. – “Não sei por que fiz isso”. – “Não sei a razão por que fiz isso”. (Mét. De Análise, 26). DESLOCAÇÃO IDIOMÁTICA Assim como permite a língua a intercalação dalgum pronome entre a preposição regente e o relativo que, assim também permite que este apareça, muito embora em raros casos, deslocado dos termos regente e regido: “Damião e Píteas, discípulos que foram do grande Pitágoras, abalizaram-se tanto na amizade...” por – “Damião e Píteas que foram discípulos...”(Ed. Carlos Pereira, Gram. Expositiva, 264). “Os grevistas reiniciaram hoje os estudos da proposta patronal, interrompidos que estavam há vários dias”. – por – que estavam interrompidos... TERMOS IMPLÍCITOS DE QUEM Estão implícitos no relativo quem o antecedente (a pessoa, aquele, ou o) e o relativo, propriamente dito,que. Desta forma, para efeito de análise deve ser desdobrado em seus respectivos correspondentes: “Quem dá aos pobres, empresta a deus”. = “Aquele que dá aos pobres, empresta a Deus”. - “Quem quer vai”. = “Aquele que quer vai”. – Lembra, todavia, e muito bem, o ilustre Prof. E. C. Pereira que, toda vez que a regência não exigir o antecedente, é preferível tornar-se essa palavra como mero conjuntivo e considerar-se substantiva a oração, que, de outra sorte, seria oração adjetiva; assim, nas frases: “Não tenho quem me socorra”. - “Não sei quem está aí”. (Gram. Expositiva, 289). (V. análise nº 15). Observação – Somente nos casos de vir quem preposicionado é que pode ter antecedente expresso: “Senhor general, o soldado de quem lhe falei, aqui está”. NOTAS: 1ª – A palavra como é pronome relativo quando equivale a por que e vem geralmente precedida de o modo: “Pelo modo como se apresentou, parecia querer brigar”. 2ª – Quando é pronome relativo se possui antecedente expresso e equivale a em que: "Na hora quando lhe falei, parecia zangado." 3 – Quanto é pronome relativo, equivalente a que, quando antecedido de tudo, todo ou o: “Tudo quanto sei é isto que já ouviste.” 4 – É de mau gosto a repetição do relativo. Em lugar de: “Era uma jovem que tinha os cabelos louros eque era linda como a paisagem que a cercava”. – Diga-se - “Era uma jovem que tinha os cabelos louros e era linda como a paisagem que a cercava.” (Consulte-se Enéias Martins de barros, curso de Português, 122 e 124.) FUNÇÕES SINTÁTICAS QUE – pronome substantivo relativo - na análise sintática, é duplamente analisado: primeiro como conetivo interoracional subordinativo, segundo como sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo ou adjuntos adverbiais. Exemplos: “Este reflexo que começara à esquerda, propagou-se logo à extrema direita”. (E. da Cunha). = Sujeito do verbo começara. “Que a calúnia propale o que ele nunca disse”. (Camilo). = Objeto direto do verbo disse. “Os néscios decidem do que (o de que) não conhecem”. (A. de Azevedo). = Objeto indireto do verboconhecem. “O espetáculo a que ontem assistimos, agradou - nos bastante”. = Objeto indireto do verbo assistimos. “O que sou, fica entre o céu e a minha consciência”. (R. da Silva). = Predicativo. “O veículo por que foi atropelado, já está apreendido”. = Agente da passiva. “No momento em que Paulo chegou, eu percebi tudo”. = Adj. Adverbial de tempo. “A estrada, a que entraremos, será melhor”. = Adj. Adverbial de lugar donde. “A estrada de que saímos, foi-nos adversa”. = Adj. Adverbial de lugar aonde. “A casa, em que moramos, parece com esta”. = Adj. Adverbial de lugar onde. “Aquela é a estrada por que devo passar”. = Adjunto adverbial de lugar por onde. “O folheto precioso com que o Sr. Eduardo Prado acaba de enriquecer a literatura brasileira”. (Rui). = Adjunto adverbial de meio. “Lembra-se de nossas festas em que eu figurava de rei?” (M. de Assis). = Adjunto adverbial de tempo. “Os portentos de que esta força é capaz, ninguém os calcula”. (Rui). = Complemento nominal. OBSERVAÇÃO: Comumente com que é adjunto adverbial. Há, porém, de ser considerada a regência verbal para se analisar, ao certo, a palavra que regida pela preposição com. No exemplo – “Aquela é a pessoa com que não me agraço” – além de conetivo, sua função primeira, é que objeto indireto. EMPREGO ERRÔNEO Em expressões como esta: “A pessoa a quem me refiro é aquela que o filho quebrou a perna, defronte nossa casa” – dá-se a troca de cujo por que. Tal permuta, errônea, aliás, deve ser evitada, pois cujo não ligando termos idênticos (antecedente e consequente), é sempre adjetivo e se refere ao substantivo de que é seguido; já o pronome que liga termos idênticos, sendo, por conseguinte, o representante do segundo. Outros exemplos dessa espécie de solecismo em que o pronome substantivo relativo que vem empregado no lugar do pronome adjetivo cujo: “A árvore, que as flores eram bonitas, o servidor da prefeitura cortou-a”. - “Queimaremos os livros que o teor seja subversivo”. OBSERVAÇÕES: 1 – V. funções IX, XI. “Fazer com que”. – na 1ª parte. 2 – São pronomes substantivos relativos: o qual e flexões, onde (o lugar em que, no lugar em que), quem ( a pessoa que, aquele que, o que), quando (em que), como (por que), quando (que). 3 – Comparem-se os pronomes substantivos relativos com as conjunções subordinativas integrantes. XI PRONOME SUBSTANTIVO DEMONSTRATIVO QUE é pronome substantivo demonstrativo quando, referindo-se a um fato ou a um pensamento inteiro, equivale a isto ou isso. Exemplos: “Acudiram juntamente todos os fidalgos e gente nobre da cidade: com que foi tanto o rumor”. (Souza, Arc., apud Said Ali). “O malfeitor respondeu-lhe usando duma expressão sarcástica, a que replicou o jovem...” “Ele dirigiu ao companheiro uma rosnadora, a que este respondeu com estirado monossílabo “yes”. (A. Herculano). Que – como pronome substantivo demonstrativo – costuma vir precedido do artigo o, sendo, nesse caso, tomado como parte inseparável da locução: “Ele portou-se mal, o que muito me contrariou”. (E. Carlos Pereira). “Lembrou-se de todas as minúcias, o que o elevou ainda mais”. “O ricaço gritou então: ó compadre, abra a porta, ao que o outro respondeu...” (Sílvio Romero, Apud. José Cretela Júnior). VALORES SINTÁTICOS Possuem os pronomes substantivos demonstrativos dos exemplos acima os seguintes valores sintáticos: 1 – Adjunto adverbial de causa. 2 –Objeto indireto. 3 – Objeto indireto. 4- Sujeito. 5- Sujeito. 6 – Objeto indireto. NOTAS: 1 - Uma das formas diferenciadoras de “o que” (pronome + relativo) e “o que” – (= isto ou isso) é vir este último separado da oração anterior por vírgula. 2 -Cumpre dispensar bastante atenção no estudo de “a que” – locução que possui predicados e valores diversos. Diferenciamo-la nos exemplos: “Ele dirigiu ao companheiro uma rosnadura, a que (preposição + demonstrativo) este respondeu...” “Acreditou que o suborno envilece tanto a mão que o paga como a que (artigo + relativo) o recebe”. (Rui). “Conduzir à verdadeira religião ou à que (preposição + artigo + relativo)julga ser verdadeira.” (F. Fernandes). “A lição das escrituras... é a que (demonstrativo + relativo) mais pode consolar nos trabalhos”. (vieira). “A história a que (preposição + relativo) você se refere já a conheço”. “Convidamos os mestres a que (conjunção sub. Final) assistissem à posse da nova diretoria do Centro Acadêmico”. 3 – Ensinou-se já que o que seja igual a o qual fato, argumentando ser o que pronome relativo, abrangendo o sentido da oração anterior, tal o exemplo: “João conseguiu a sua nomeação, o que (o qual fato) representa a sua felicidade”. Levando-se em consideração o fato de o qual (e flexões) pôr em relação termos iguais, isto é, unir um termo antecedente a outro termo consequente idêntico, (V. Gram. Metódica de N. M. de Almeida, pág., 181) melhor faríamos flexionando a locução o qual e construindo o período em questão, da seguinte forma: “João conseguiu a sua nomeação, a qual representa felicidade”. OBSERVAÇÃO: 1 – São pronomes substantivos demonstrativos: este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, mesmo, mesma, própria, próprio, tal e o; as formas compostas – estoutro, aquele outro, etc. XII Adjetivo Quando escrevemos a palavra que - o vocábulo que – estamos empregando mais uma função de que – a de adjetivo*: “A palavra que está mal escrita”. “Quando a palavra que estiver precedida...” “Toda vez que o vocábulo que for...” “Adjetivo é a palavra que, posta ao lado de um substantivo com o qual concorda em gênero e número, exprime a aparência exterior, o modo de ser, ou uma qualidade de tal substantivo.” (Anteprojeto de Simplificação da nomenclatura Gramatical Brasileira, apud Cândido de Oliveira). QUE, como adjetivo, refere-se ao substantivo restringindo-lhe uma qualidade. Assim, quando escrevemos: a palavra que é um advérbio quando equivale a “quão” – não queremos dizer que qualquer palavra é advérbio, mas, sim aque. Ao dizermos: “A interjeição que sempre vem acompanhada de ponto de exclamação” – restringimos qual seja essa interjeição. NOTAS: 1 – Nesta função da palavra que não deve haver dúvidas quanto ao núcleo do sujeito. Com que palavra concorda o artigo, por exemplo, na frase: “A palavra que é a mais empregada do idioma português?” Com “palavra”, logo “a” e “que” são adjuntos adnominais de - palavra. 2 – Análise sintática do adjetivo: adjunto adnominal(do nome a que se refere). Poder-se-ia dizer – adjetivo virtual ou palavra adjetivada. Alguns adjetivos: belo, forte, francês, amável, feroz, branco, paulista, surdo-mudo, mole, frio. XIII Conjunção Coordenativa Aditiva QUE – é conjunção coordenativa aditiva quando equivale a “e”: “Outro, que não eu, poderá falar com mais frequência.” (C. Marques). “A academia, às vezes, que não sempre, ignora o que legisla”. (L. Bittencourt). “Dize-me com quem andas que eu te direi quem tu és.” (Provérbio). “Chora que chora.” (Carlos Góis). “Rezava que rezava.” (Idem). “Mexe que mexe.” (F. da Silveira Bueno). “Chove que chove.” (Idem). “Fala que fala.” (N.F. B. Campinhos). “Estudava que estudava: era véspera dos exames...” “Eu que não ele exporei o acontecido”. NOTA: A análise sintática da conjunção coordenativa aditiva é: conetivo interoracional coordenativo aditivo. 1 – São conjunções coordenativas aditivas: e, nem, não só... mas, não somente... mas, não apenas... mas. XIV Conjunção Coordenativa Alternativa É a palavra que conjunção coordenativa alternativa quando equivale a “ou”. Exemplos: “Vou ao cinema uma que outra vez.” (F. Silveira Bueno). “Irei a Santos, chova que não chova”. (Marques da cruz). “Que jogue, que não jogue, é o mesmo resultado: escoa-se o dinheiro”. (N. J. Barroso Campinhos). “Estudem que não estudem, as provas serão realizadas amanhã. “Que explique, que não explique, será despedido.” “Queira que não queira, participarei da partida.” “Um que outro procurará fazer as pazes.” NOTA: A análise sintática da conjunção coordenativa alternativa: conetivo interoracional coordenativo alternativo. OBSERVAÇÃO: 1 – São conjunções coordenativas alternativas: ou, ou.. ou, ora, ora... ora, já... já, quer, seja... seja, quando... quando, agora... agora, seja que... seja que. XV Conjunção Coordenativa Adversativa QUE – é conjunção coordenativa adversativa quando equivale a “mas”. “De outras ovelhas cuidarei, que não de vós.” (Garrett). “Doutras pessoas falam, que não de nós.” (j. N. de Melo). “Todos falarão, que não eu.” “Não acreditou em nada do que ouviu, que na realidade dos fatos.” “Discutiram os professores e os alunos, que não nós.” “Entre os fatos criam-se histórias que não verdadeiras.” NOTA: É a seguinte a análise sintática da conjunção coordenativa adversativa: conetivo interoracional coordenativo adversativo. OBSERVAÇÃO: 1 – São conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, não obstante, aliás, entretanto, no entanto, ainda assim, só que, ao passo que, senão que. XVI Conjunção coordenativa Explicativa Não eram consideradas até 1959 como conjunções coordenativas explicativas as palavras “porque” e “que”. Todavia, a Nova nomenclatura Gramatical vem de registrá-las. É a seguinte a “nota” constante na citada nomenclatura autorizada a entrar em vigor pela portaria ministerial n 36 de 28/1/59 e publicada no Diário Oficial de 11/5/59: “As conjunções que e porque e equivalentes ora têm o valor coordenativo, ora, subordinativo; no primeiro caso chamam-se explicativas; no segundo, causais.” Críticas são feitas ao sentido desta nota. E com muitíssima razão: afirmou-se, com ela, que a conjunçãoque, quando coordenativa, chamar-se-á explicativa. Se assim for, que faremos com que, aditiva, que, alternativa, que, adversativa? E, referente ao segundo caso, com que, comparativa, que, integrante, etc.?! Constando a conjunção que como coordenativa explicativa pela Nova Nomenclatura, aceitemo-la. "Que" é conjunção coordenativa explicativa quando equivale a “porque”. Explica-nos o Prof. Gama Kury, um dos primeiros a expor a nomenclatura atual, ser que, explicativa, quando a oração coordenada explica simplesmente a razão de ser feito a declaração anterior, que, na maioria dos casos, tem o verbo no imperativo. Exemplos: “Não se entristeça, que você terá outra oportunidade”. “Não chores, meu filho, que a vida é luta renhida.” (G. Dias). NOTA: Análise sintática da conjunção coordenativa explicativa: conetivo interoracional coordenativo explicativo. OBSERVAÇÃO: 1 – São conj. Coord. Expl.: isto é, quer dizer, por exemplo, porque, ou seja, na verdade, a saber, com efeito, demais, ademais, de mais a mais, outrossim, ora, além disso. XVII Conjunção Subordinativa Temporal É que conjunção subordinativa temporal quando empregada com a equivalência de “logo que”, “desde que”, “antes que” e “quando”. Exemplos: “O mestre primeiro amainou que (antes que) desse o vento” (Camões). “Porém, já cinco sóis eram passados que (desde que) dali nós partíramos”. (Idem). “Chegados que fomos (logo que fomos chegados) recebemos a notícia”. (Carlos Góis). “Chegando que fomos (quando fomos chegando) recebemos a notícia.” “Talvez não haja uma hora que passou pelo retiro”. (C. Pereira). “Há muito tempo que moro nesta casa”. (Idem). “Há duas semanas que não estudo”. “Ainda há bem pouco tempo que a pedra tumular encerrou as cinzas de João Batista de Almeida Garret”. (Latino Coelho). NOTA: A análise sintática da conjunção subordinativa temporal é: conetivo interoracional subordinativo temporal. OBSERVAÇÃO: 1 – São conjunções subordinativas temporais: antes que, agora que, logo que, assim que, até que, quando, enquanto, sempre que, depois que, apenas, mal, ao passo que, cada vez que, (tanto que = logo que), desde que, ao tempo que. XVIII Conjunção Subordinativa Condicional QUE – é conjunção subordinativa condicional quando equivale a “se”: “Não fui que quebrei o copo; mas que fosse, que tem você com isso?” (Marques da Cruz). “Que não considerada aquela proposta, outra não faríamos”. “Ensinava-lhe todos os dias as lições, todavia, o mesmo teria recebido que não o fizesse”. “Não olha o céu que não se lembra da esposa que para lá foi.” (Laudelino Freire). “Que não soubesse as lições, não faria a prova”. NOTAS: 1 – Análise sintática da conjunção subordinativa condicional: conetivo interoracional subordinativo condicional. 2 – Ensina Cândido de Oliveira ser que, conjunção subordinativa condicional, quando também equivaler a “senão”: “Não sei de pessoa melhor que você”. (Revisão Gramatical, 7 ed., pág. 472). OBSERVAÇÃO: 1 – São conjunções subordinativas condicionais: se, salvo se, contanto que, sem que, caso, a não ser que, exceto se, a menos que, se caso, senão, salvo que, exceto que, desde que. XIX Conjunção Subordinativa Causal É a palavra que conjunção subordinativa causal quando equivale a “porque”. Exemplos: “Não dei aulas ontem, que estava adoentado”. (N. J. B. Campinhos). “Pode o Sr. Norberto gastar ou aumentar o que tem, que sua filha não esperará a morte do pai para poder comprar mais um vestido”. (Camilo). “Não vos peço por mim. Divino Mestre, que, igual aos muitos pecadores, mereço ser levado ao tribunal da Divina Justiça”. (Nidoval Reis). Conforme já vimos na exposição de que – conjunção coordenativa explicativa – tornou-se um tanto dúbia a diferença entre as orações explicativas e causais iniciadas por “que” (e “porque”). Não se pode comentar uma sem se ter, em mente, a outra, tão forte é o liame que as une. Todos os exemplos dados na função – explicativa – pertencem à - causal. Por aí se pode deduzir a desvalorização sofrida por esta última que ficou cingida aos casos considerados, indubitavelmente, como causais, isto é, nos casos em que a oração subordinada represente, de fato, uma causa referente ao verbo da subordinante. NOTA: Análise sintática da conjunção subordinativa causal: conetivo interoracional subordinativo causal. OBSERVAÇÃO: 1 - São conjunções subordinativas causais: porque, já que, visto que, uma vez que, pois que, portanto, visto como, por isso que, como quer que, em virtude que. XX Conjunção Subordinativa Final É que – conjunção subordinativa final - quando equivale a “para que”. Exemplos: “Cuidado contigo que não tenhas de voltar a botica a manipular aquela erva bicha”. (Camilo). “Criarei estas relíquias, que aqui viste que refrigério sejam da mãe triste”. (Camões). “Deitou-nos Deus a bênção que crescêsseis e multiplicásseis”. (Vieira). “As gentes da terra toda enfreias, que não passem o termo limitado”. (Castilho). “Faço votos que sejas feliz”. “Avisa-os que se não comprometam”. “Abençoou-nos que partíssemos felizes”. (J. N. Melo). “As estrelas da manha despertam aos outros, que se levantam a servir Deus”. (A. Gama Kury). NOTA: Analise sintática da conjunção subordinativa final: conectivo interoracional subordinativo final. OBSERVAÇÃO: 1 – São conjunções subordinativas finais: para que, a fim de que, a que (= para que). XXI Conjunção subordinativa consecutiva QUE é conjunçao subordinativa consecutiva quando equivale a “de modo que”, “de maneira que” ou quando possui um termo (“advérbio ou adjetivo da oração principal” que com ela se relacione: “Nunca fui à sua casa, que não o achasse estudando”. (E. C. Pereira). “Tão temerosa vinha e carregada (a nuvem), que pôs nos corações um grande medo”. (Camões). “E foi tão grande o pavor que concebi, que me encaneceram, de repente, os cabelos”. (M. Barreto). “Tanto durei que consegui chegar ao fim”. (Aulete). “Senti tamanha fraqueza, que cai no chão”. (M. Maciel). “Alegou tais razoes, que todos ficaram convencidos”. (F. Fernandes). NOTAS: 1 – Inclui a N.G.B. entre as consecutivas, as conjunções relativas (assim como, quão, etc.). Elogiável, assim podemos considerar, o espírito significativo que norteou o trabalho da Comissão incumbida da apresentação do ante-projeto da N.G.B. 2 – “Tão”, “tanto”, “tamanho” e outras palavras relacionadas com a consecutiva que devem ser analisadas de acordo com as funções que exercem na oração principal e não como se fizessem parte intrínseca deque. 3 – Análise sintática da conj. Sub. Consecutiva: conetivo interoracional subordinativo consecutivo. OBSERVAÇÃO: 1 – São conj. Sub.consecutivas: de modo que, de maneira que, de sorte que, de jeito que e que (consecutivo de “tão”, “tal”, etc.). XXII Conjunção Subordinativa concessiva É a palavra que conjugação subordinativa concessiva quando equivale a “embora”, “mesmo que”, “ainda que” e posto que”. Exemplos: “Talvez que a chuva passe e o tempo mude e, que não mude, um teto aqui nos abre.” (Alberto de Oliveira). “que seja ladrão, não podemos matá-lo”. (J. N. de Melo). “que não me ensinem o caminho, eu lá chegarei”. “Grande que seja o sacrifício futuro, convém impor-se essa diretriz”. “Gosto de goiabas, verdes que estejam”. (Marques da Cruz). Observação - Teve o autor do ultimo exemplo acima o cuidado para evitar ambigüidade de sentido, pois, que, antecedendo a verdes, poderia ser interpretada como relativo. NOTA: Análise sintática da conjunção subordinativa concessiva: conectivo interoracional subordinativo concessivo. OBSERVAÇÃO: 1 – São conjunções subordinativas concessivas: embora, posto que, ainda que, se bem que, quando mesmo, mesmo que, por mais que, dado que, conquanto, conquanto que, contanto que, nem que, apesar de que, por mais que, por menos que, ainda mesmo que, a despeito de que, bem que, mas que, suposto que. XXIII Conjunção Subordinativa Comparativa QUE é a conjunção subordinativa comparativa quando liga à principal uma oração indicadora de comparação: “mais sofrível é inimigo prudente que amigo imprudente”. (E. Carlos pereira). “Menos nos impressionam as coisas que dizemos, diz Voltaire, que o modo as dizemos”. (Carneiro Ribeiro). “Todos nós pouco mais somos que uns comediantes”. (Rui). “hoje choveu mais que ontem”. “Ele é mais feio que bonito”. “Pedro é mais estudioso que Paulo”. NOTAS: 1ª – Comumente possuem as orações comparativas termos elípticos: “A sabedoria é melhor que ouro.” = que ouro é bom. “Ele escreveu mais que eu”. = que eu escrevi muito. 2ª – V. nota 2ª da função XVIII 3ª – Análise da conjunção subordinativa comparativa: conectivo interoracional subordinativo comparativo. OBSERVAÇÃO: 1ª – São conjunções subordinativas comparativas: do que, como, quanto, tal qual, tanto quanto, tanto como. XXIV Conjunção subordinativa Integrante QUE é conjunção subordinativa integrante quando liga à oração principal, completando-lhe o sentido, uma subordinada substantiva. Exemplos: “Respondeu-lhe ele que Soares era inocente e nisto ficou”. (Camilo). “Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de continuo”. (Machado de Assis). A conjunção subordinativa integrante que inicia: a) Oração subordinada substantiva subjetiva: “Melhor será para nós que não haja conspirado”. “Que importa que se tivesse engradado a janela a sete chaves”. (M. Alencar). “Se já empreendemos viagens marítimas, é natural que alguma coisa do mar tenha causado admiração”. (J. Nogueira). “Foi necessário que Sebastião falasse tudo”. “Convém que venhas à escola”. “É sabido que ele vem a São Paulo”. “Parece que a cidade esta em festas”. “Não foi escrito que o reitor estivesse aqui”. b) Oração substantiva objetiva direta: “Com esse talento conjeturo que irá longe”. (Séquier). “Quero que a sala esteja repleta de flores e de perfumes”. (Mafra Carboniéri). “Insinuei que deveria ser muitíssimo longe”. (M. de Assis). “Não consinto que vos arrisqueis de novo”. (A. Herculano). “Desejo que venhas para Aparecida do Norte”. “Julguei que tudo corria bem”. “Peço-lhe que venha logo”. “Fiz com que Pedro viesse”. c) Oração subordinada substantiva objetiva indireta: “Lembro-me bem de que nos assentamos de costas para a estrada”. (Rui). “A tua aprovação depende de que estudes seriamente a matéria”. (F. S. Bueno). “Necessito de que estejas presente”. “Confio em que Deus venha a salvá-lo”. (Manseur Guérrios). “Inclino-me a que faças o curso de direito”. d) Oração subordinada substantiva completiva nominal: “Ficar certo de que o mestre não falseia o livro nem lhe acrescenta um jota”. (Camilo). “A noticia de que Pedro morreu é inexata”. (C. Góis). “isto depende de que estejas presente”. “Torcia com esperança que seu clube vencesse”. e) Oração subordinada substantiva predicativa: “Mas o que eu noto nestas escuras é que todos convieram em uma só razão”. (M. Maciel apud F. Fernandes). “O que vos dá mais fama é que vençais tantas ingratidões, tão grande inveja”. (Camões). “Uma coisa vos confessarei eu, Senhor Leonardo, que é que os portugueses são homens de ruim língua”. (F.R.L. apud C. Pereira). “O menino parece que chora”. (J. Benedito Pinto). OBSERVAÇÃO: Controvérsias existem sobre a existência da oração predicativa. Há os que afirmam negativamente, comprovando com espécies de argumentos. De fato, se se usar a deslocação dos termos ou se for levada em conta, piamente, que o sujeito oracional venha posposto ao verbo, poderemos tomar como subjetivas as predicativas. Preferimos ficar do lado dos de afirmação positiva, indo, aliás, com as determinações da Nova Nomenclatura Gramatical. f) Oração subordinada substantiva apositiva: “Peço-te um favor, que guardes estas cartas”. (A. Gama Kury). ELIPSE É do gênio da língua a omissão da conjunção integrante: “Sou eu que mando vás vestir as vestiduras da missa”. = que vás... (A. Herculano). “Nunca imaginei pudesse meu nome acompanhar trabalho sobre análise”. = que pudesse... (Frei Roberto B. Lopes) “Julgamos já fosse dia”. = que já... “Ordeno seja cumprida minha ordem”. = que seja... “Requeiro a S. Sª determine uma revisão nos impostos”. = que determine... ELIPSE DA CONJUNÇAO E DEMAIS MEMBROS Além da integrante, pode acontecer estar também os demais membros da oração omitidos: “Procedo conforme determinaste”; - isto é, determinaste que eu procedesse. (U. Cintra e M. Leite). “Faço (isso) como queres”. - isto é, queres que eu faça isso. (C. Pereira). REPETIÇÃO Embora seja raro o emprego da integrante que em repetição, é um fato do nosso idioma. Carlos Góis cita os seguintes exemplos: “Eu sou bem informado que a embaixada que do reino me mandaste, que é fingida”. (Camões). “Sabia bem que se com fé formada, mandar a um monte surdo que se mova que obedecerá logo à voz sagrada”. (Idem. M. de Análise 40). EXPLETIVO Nas orações optativas, isto é, que exprimem votos para que seja realizada alguma coisa, pode a conjunção que ser considerada expletiva ou, então, subentender-se o verbo “desejar”, nesse caso, sendo retirado o valor expletivo da conjunção. Exemplo: “Que Deus o favoreça”. = Desejo que Deus o favoreça”. (C. Góis). Sobre o assunto é necessário criarmos a convicção que mais condiz com a de eminentes filósofos. Fiquemos com a do ilustre Prof. Gérson Rodrigues: “Quando aparece a conjunção que, é possível, mas desnecessário, analisar-se ou entender-se a omissão do verbo desejar ou seu sinônimo“. (Análise Sintática Exemplificada, 6). Outros exemplos: “Que sejas feliz”. “Que Deus te abençoe”. “Que tuas ações dêem bons frutos”. NOTA Análise sintática da conjunção subordinativa integrante: conetivo interoracional subordinativo integrante. OBSERVAÇÃO: 1ª – São conjunções subordinativas integrantes: se, e nalguns casos, como, quando, quanto. XXV Conjunção subordinativa Conformativa É que conjunção subordinativa conformativa quando exprime conformidade ou paralelismo e significa - “conforme ou segundo”: “Fraco que é, preocupa-se só com repouso”. NOTAS: 1ª – Análise sintática da conjunção conformativa: conetivo interoracional subordinativo conformativo. OBSERVAÇÃO: São conjunções subordinativas conformativas: conforme, consoante, segundo. XXVI Interjeição É a palavra que interjeição quando, isolada, exprime sentimento súbito e impressões de admiração ou espanto e vem seguida de ponto de exclamação ou também de mais outro – o de interrogação. “Que! Vocês revoltaram-se?!” (Marques da Cruz). “Que! Isto é verdade?” “Que! Você por aqui?!” (Cândido de Oliveira). “Que! Como pode isso acontecer!” Pode vir a interjeição que precedida do articular o. Exemplos: “O que! Você discutiu novamente?!” “O que! Já resolveste os problemas?!” Quanto ao seu valor sintático é classificada a interjeição que como palavra denotativa ou palavra de admiração e espanto, semelhante a mesma classificação das palavras que indicam realce, afetividade, etc... Carlos Góis, em seu notável método de Análise, denomina interjeição “ah!” de expletivo emocional. OBSERVAÇÃO: 1– São interjeições: ah!, oh!, hem!, oxalá!, tomara!, puxa!, chi!, psiu!, etc... São locuções interjetivas: pobre de mim!, oras bolas!, valha-me Deus!, etc... XXVII Partícula Expletiva Vimos, ate a enumeração anterior, todas as funções da palavra que. Vimo-la funcionar como substantivo, advérbio, pronome, etc. Agora vamos anotar seu emprego como palavra sem função, sem classificação, que morfológica, que sintática: Todas as vezes que a palavra que aparecer numa frase apenas para nela figurar como realce, sem qualquer outro valor, denomimo-la PARTICULA EXPLETIVA. Exemplos: “Oh! que nesta idade da vida e de esperanças custa muito morrer”. (A. Herculano). “Oh! que é muito”. (A. Herculano, apud C. Pereira). “Quase que perdi a razão com tanto barulho”. “Oh! que se fosse possível alevantar-se ele em pé sobre a campa”. (Herculano). “Certamente que irei”. NOTA: Na análise sintativa, referente à partícula expletiva, podemos anotar: palavra de realce ou termo expletivo. OBSERVAÇÃO: 1ª – Outras palavras podem figurar na frase como expletivas, tais os exemplos: “Tu sabes lá o que faz.” “Eu cá mereço isso?” “Eu assisto às fitas todas e não costumo contá-las a ninguém: agora, se me perguntam, conto-as.” Resumo das Funções 1 – SUBSTANTIVO Quando precedido de artigo ou prenome adjetivo demonstrativo: “Esta palavra é um quê.” 2 – PREPOSIÇAO ESSENCIAL Quando equivaler a “de”: “O estudante tem que estudar as lições”. 3 – PREPOSIÇAO ACIDENTAL Quando equivaler a “exceto”: “Não tem de se extinguir que no jazigo.” (FELINTO). 4 - ADVÉRBIO DE INTENSIDADE Quando exprimir uma circunstância a um adjetivo, verbo ou a outro advérbio: “Que belo está o dia.” 5 – ADVÉRBIO DE NEGAÇÃO Quando equivale a “não” e precede um verbo na 3ª pessoa: “Que importa: eu já sabia.” 6 – PRON. SUBST. INDEFINIDO Quando esta no lugar dum substantivo, caracterizando-se pelo sentido vago: “Que houve!” 7 – PRON. SUBST. INTERROGATIVO Quando esta no lugar dum substantivo nas frases interrogativas: “Que fizestes?” 8 – PRON. ADJ. INDEFINIDO Quando precede um substantivo e equivale a quanto (e flexões): “Que bondade possuis!” 9 – PRON.ADJ. INTERROGATIVO Quando precede um substantivo em frases interrogativas: “Que horas são?” 10 – PROM. SUBST. RELATIVO Quando se refere a um antecedente e liga duas orações: “O aluno que estuda será aprovado.” 11 – PRON. SUBST. DEMONSTRATIVO Quando, referindo-se a um fato da oração anterior, equivaler a “isto” ou “isso”: “todos estudavam quietos, a que o professor comentou: é o melhor sistema”. 12 – ADJETIVO Quando, proposto a um substantivo, exprimir-lhe uma qualidade: “A palavra que é muitíssimo empregada.” 13 – CONJ. COORD. ADITIVA Quando equivale a “e”: “Nas vésperas dos exames, ela estuda que estuda sem parar.” 14 – CONJ.COORD. ALTERNATIVA Quando equivale a “ou”: “Pratico esportes uma que outra vez.” 15 – CONJ. COORD. ADVERSATIVA Quando equivale a “mas” ou “senão”: “De outros alunos falarão, que não de nós”. 16 – CONJ. COORD. EXPLICATIVA Quando equivale a “porque” e liga uma oração explicativa a anterior: “Estude que os exames vêm aí.” 17 – CONJ. SUB. TEMPORAL Quando equivale a “logo que” e “desde que”: “Há dois meses que ele falta às aulas.” 18 – CONJ. SUB. CONDICIONAL Quando equivale a “se”: “Que não estudasse, não seria aprovado.” 19 – CONJ. SUB. CAUSAL Quando equivale a “porque” e liga à principal um oração concernente ao verbo daquela: “Não estudei nada ontem que tinha viajado.” 20 – CONJ. SUB. FINAL “Quando equivale a “para que”: “No inicio dos anos letivos fazem os professores preleções que estudem bastante os alunos.” 21 – CONJ. SUB. CONSECUTIVA Quando equivale a “de modo que” ou quando possui relação com o termo da oração principal: “Tanto estudou que conseguiu ser aprovado.” 22 – CONJ. SUB. CONCESSIVA Quando equivale a “mesmo que” ou “ainda que”: “Que estudasse, não seria aprovado.” 23 – CONJ. SUB. COMPARATIVA Quando liga à principal uma oração comparativa: “Estudo mais Português que Francês.” 24 – CONJ. SUB. INTEGRANTE Quando liga à principal uma oração substantiva: “Ela disse que iria estudar.” 25 – CONJ. SUB. CONFORMATIVA Quando equivale a “conforme”: “Sabido que sou eu, vencerei a questão.” 26 – INTERJEIÇAO Quando exprime sentimento súbito e vem isolada da frase por ponto de exclamação: “Que! Isto acontece.” 27 – PART. EXPLETIVA Quando aparece na frase sem função alguma: “Certamente que estudaremos.”